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Eye Movement Desensitization and Reprocessing (EMDR)
André Mauricio Monteiro, Ph.D.


 

     Este texto informativo tem por objetivo esclarecer o mecanismo de funcionamento de nova forma de psicoterapia, denominada de Eye Movement Desensitization and Reprocessing (EMDR). Trata-se de método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de movimentos bilaterais.
     Essa nova abordagem para o tratamento de traumas emocionais foi desenvolvida pela doutora Francine Shapiro no final dos
anos 80, na Califórnia. Desde então, o EMDR tem sido um dos métodos psicoterapêuticos mais amplamente pesquisados nos EUA na atualidade, com recomendação especial da American
Psychiatric Association. Respondem muito bem ao método pacientes com transtornos de ansiedade, em especial o estresse pós-traumático (TEPT). Denominado genericamente de psicoterapia de reprocessamento, o EMDR foi idealizado como psicoterapia breve e focal.
     Um dos princípios do EMDR é que o trauma emocional deve ser considerado mais como um fisiotrauma do que um psicotrauma. Essa hipótese revolucionária encontra amparo em inúmeras pesquisas feitas com pacientes portadores de estresse agudo e TEPT. A partir de imagens feitas com PET e SPECT-scans, observam-se diferenças significativas em certas áreas cerebrais relacionadas à emoção (imagens ilustrativas). Dentre essas regiões, destacam-se em especial hiperatividade neuronal no córtex visual, no sistema límbico, no giro cingulado e/ou nos gânglios basais. Simultaneamente, observa-se inibição acentuada de atividade de áreas mais cognitivas (córtex pré-frontal e área de Broca). Como resultado, a pessoa sente o trauma, mas não consegue compreendê-lo e reprocessá-lo adequadamente. O passado persiste no presente. O paciente relata o trauma como se houvesse ocorrido há pouco tempo.
     A partir dessa digressão neurológica, depreende-se que solicitar ao paciente que fale (terapia da fala) sobre seu trauma desgasta-o por meses ou anos inutilmente, pois a cognição encontra-se dissociada de regiões cerebrais responsáveis pela memória emocional.
     O referencial teórico adotado pelo EMDR parte do pressuposto de que quase todos os transtornos mentais sejam resultantes de eventos traumáticos no passado. Por sinal, essa hipótese foi formulada há mais de um século por Freud (teoria do trauma como etiologia da histeria de conversão, hoje denominada de transtorno somatoforme) e posteriormente desqualificada também por ele por meio da teoria da sedução, segundo a qual bastaria à paciente desejar ter sofrido abuso sexual para desenvolver sintomatologia conversiva/dissociativa. Infelizmente à época, Freud não dispunha de dados para amparar a formulação de que tantos adultos teriam sofrido de abusos (sexual, emocional, físico) na infância. Dados estatísticos atuais oferecem panorama mais sombrio. 
 
 
Método de tratamento
     Uma das formas naturais de reprocessamento de memórias perturbadoras ocorre durante o sono REM. Nessa fase do sono o sonho permite ao indivíduo digerir suas experiências cotidianas. Pacientes traumatizados relatam dificuldades para iniciar o sono ou são despertados por pesadelos. Estes seriam sonhos incompletos, cujo conteúdo traumático bloquearia sistema de processamento do indivíduo.
     Na psicoterapia com EMDR emprega-se protocolo específico que visa à focalização dos diversos componentes da memória traumática. A estimulação bilateral alternada (visual – à semelhança do sono REM -, auditiva ou tátil, dependendo do que o paciente preferir) parece ativar o sistema nervoso parassimpático, auxiliando o indivíduo a dessensibilizar e integrar rapidamente a memória perturbadora. Esse resultado permite nova visualização do problema (reprocessamento), decorrente da re-ativação das regiões cognitivas do paciente. Em vez do pensamento:“a culpa foi minha!”, a pessoa pensa:“fiz o melhor que pude!/Eu era pequena/o”. Estudos pós-EMDR, feitos em intervalos de seis e 18 meses, indicam manutenção dos resultados alcançados durante o procedimento.
     Graças à elaboração de traumas, temos ampliado com êxito o escopo do EMDR, incluindo tratamento de depressão, disfunções sexuais, transtornos psicossomáticos, dores crônicas ou estratégias de coaching, aprimorando o desempenho de empresários e gerentes. Por outro lado, algumas contra-indicações são quadros psicóticos agudos, ou condições orgânicas que sejam agravadas em decorrência de emoções intensas. Alguns dependentes químicos correm riscos, pois o contato com traumas agrava a ansiedade. Benzodiazepínicos e anti-convulsivantes parecem interferir negativamente no reprocessamento, bem como anfetamina e cocaína. Neste grupo excetuam-se anti-depressivos.
     Como traumas emocionais podem despertar emoções intensas - não é requisito para o reprocessamento ocorrer, somente terapeutas credenciados pelo EMDR Institute devem ministrar o método. Essa autorização resulta de treinamento composto de três módulos principais (teórico-prático), ministrados por treinadores credenciados pelo Instituto. Atualmente no Brasil somos apenas dois treinadores. A formação restringe-se a psicólogos formados e médicos com formação prévia comprovada em psicoterapia. Além dos cursos regulares, a EMDR Treinamento e Consultoria Ltda. promove cursos de atualização, palestras. Os terapeutas devidamente habilitados podem tornar-se membros da Associação de EMDR Brasil que congrega estes profissionais.
 

...ajudando as pessoas a vencer os desafios da vida...